Talvez seja bom eu deixar registrado os passos do recomeço, dessa nova vida.
O que mais tem me chamado a atenção é como Janis estava certa. Liberdade é só mais uma palavra para definir não ter nada a perder. A liberdade tem se apresentado, como quase todas as coisas dessa coisinha doida chamada vida, como algo que é bom e ruim ao mesmo tempo, entende? Se por um lado perder àqueles que me eram mais importantes na existência foi a pior coisa que aconteceu na minha vida até o presente momento, por outro me deu a oportunidade de sair definitivamente em busca de quem eu era. Objetivo, que até então, ficava somente no discurso e não partia para nenhum lado ou prospectiva de ação.
Conclusões finalmente vieram. E com elas, uma facilidade de se traçar um plano se apresentou. A conclusão primordial que cheguei foi: eu preciso de uma atenção constante para conseguir me sentir "de verdade". Não sei qual é a causa de tudo isso, mas tenho certeza que a terapia vai conseguir me fazer achar em qual momento do passado isso tudo começou. É engraçado, quando estava namorando isso também se fazia presente. Parecia, para mim, que a única forma de validar todo o sentimento bom, todo o amor, todo o carinho que elas sentiam por mim era fazendo alguma coisa que fariam ao mesmo tempo, sentirem pena. Amigo, te digo, é uma sensação horrível só conseguir aproveitar os sentimentos bons que alguém te dá se ao mesmo tempo essa pessoa te olhar com pena. A raiz de todo o mal que aconteceu partiu desse primórdio, dessa vontade constante por lembretes de que eu estava vivo.
É como uma droga, eu acho. Acho que no fim, as drogas fazem isso para as pessoas. Lembram elas de que elas estão vivas. Não sei. Mas tenho a sensação de que o vício por atenção não foi diferente de uma droga.
Queridos amigos, se um dia vocês vierem a ler isso, lhes digo: os erros que cometi nunca foram cometidos com intenção de machuca-los ou de decepciona-los. Sempre foi por amor. Talvez um amor egoísta, uma vontade minha de conseguir amor e ali me sentir um pouquinho mais pertencente a nossa espécie. Queridos amigos, eu tenho certeza que vocês estão fazendo muito bem sem mim, e essa ideia me enche o coração de alegria. Por mais que a saudade se faça presente todos os dias desde o fim, também tenho me saído bem. Tenho feito coisas que provavelmente fariam vocês darem boas risadas, já que quando estávamos juntos eu dizia categoricamente que XAMAIS iria fazer qualquer uma delas. Mas acho que esse é mais um presente da liberdade que veio depois do fim. Não me senti mais obrigado a seguir um script de personagem que foi construído com o passar dos anos. Pela primeira vez pude fazer o que queria fazer sem medo de ninguém achar que isso não era algo de meu feitio. Queridos amigos, eu espero que vocês sejam extremamente felizes porque definitivamente me deram muitos e muitos anos de alegrias e risadas e, incrivelmente, posso falar que acho que dei muita alegria pra vocês durante todos esses anos em que passamos juntos.
Ah, meus queridos amigos! A dor de lhes ter perdido é grande, grandessíssima, mas a alegria de estar podendo me descobrir com sinceridade interior também é enorme. O nerd que foi amigo de vocês por tantos anos sempre vai lembrar de vocês com carinho e sempre vai torcer pra que todas as coisas nas suas vidas acabem bem, com alegria. Meus queridos amigos, me recuso a referir a vocês como ex-amigos ou antigos amigos. Por mais que não estejamos mais juntos a marca que vocês deixaram em meu coração é enorme, profunda e inesquecível.
Queridos amigos, lhes digo, apaixonem-se por si mesmos. Sintam o amor puramente humano correr por entre os seus poros e veias, encarem-se com ternura, com alegria, com bom humor. Queridos amigos fiquem bem. Só por hoje estou bem! Estou bem mesmo. Fiquem bem também. Só por hoje, para sempre, até o fim.
Com carinho, sempre seu,
Cesar Gaglioni Federici
Querido Cesar,
ResponderExcluirEstava a criar um blog exatamente com o mesmo título que o seu, por razões semelhantes e totalmente diferentes.
Fico aqui a pensar se ainda está entre nós…
Rezo para que sim!
Se estiver, vamos trocar umas ideias?
Estou numa situação semelhante...
Mas com um discurso menos estável que o seu.
Um abraço